Por que há diferença entre mortos que Ilhéus reconhece e o estado divulga?

Geraldo Magela
Secom

No boletim epidemólógico da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) de ontem à noite, o município de Ilhéus aparecia com 141 pessoas mortas, vítimas da Covid-19. No mesmo horário, a Secretaria Municipal (Sasau) divulgava 102 vítimas. Mas, afinal, por que se registra uma diferença tão significativa entre o número de mortos que o estado aponta para o número divulgado pelo município? O Jornal Bahia Online foi atrás desta explicação.

De acordo com a Sesau (municipal), não se pode considerar de Ilhéus, uma pessoa que saiu de Uruçuca e morreu em um hospital de Ilhéus. Mas o estado não tem acesso à esta diferenciação, segundo a fonte. "Morreu em Ilhéus, o estado computa como sendo da cidade e pronto", revela. "A Sesab (estadual) recebe as informações dos hospitais que atendem e informam óbitos de pacientes de outros municípios que morrem em Ilhéus. Apenas isso. Os números são digitados no sistema Sivep-Gripe e Sesab apenas recolhe estes números", revela a fonte.

Daí, segundo ela, a diferença entre o que o município reconhece e o estado divulga.

A este modelo de levantamento é dado o nome de "Município por Ocorrência" e não "Município de Origem Domiciliar".

"Nossos dados são os reais para o número de pessoas que, de fato, residem em Ilhéus. Talvez poucos municípios estão fazendo um trabalho tão intenso e eficiente como o nosso caso", assegura categoricamente o secretário de Saúde Municipal, Geraldo Magela. Ele disse ao Jornal Bahia Online que o estado está com problema na integração dos sistemas. "Veja os  pacientes ativos. Até o governador duvidou dos números apresentados pela Sesab sobre Ilhéus", disse. "Nós corremos atrás dos dados corretos, nós checamos e rechecamos, testamos todos os óbitos", garante.

Na entrevista que concedeu ao JBO, Magela também confirmou que houve transferência de pacientes com Covid-19 de Ilhéus para o Hospital Espanhol, em Salvador, conforme antecipado pelo site. "Isso tudo depende da complexidade dos pacientes, cardiopatas graves ou prevalência que necessite de maior suporte", justificou. Magela exlicou ainda que os últimos 15 leitos oferecidos ao sistema público de Ilhéus, são controlados pela regulação do Município. Isso significa dizer que não estariam, por exemplo, disponíveis para pacientes de outros municípios regulados por Ilhéus. Seriam vagas para pacientes da cidade.

Mas, de acordo com Magela, não significa dizer que estas vagas deixem de atender outros municípios. "Mas quando tiver uma folga para isso", informa. "Por isso pedimos que todos os pacientes agravados devam ir para o Centro de Atendimento Covid-19, no Centro de Convenções, pois é de lá que regulamos para outros hospitais", explica o funcionamento do sistema. Magela disse ainda que já houve tentativas de pacientes de escolher o hospital para ser atendido e internado. "Isso no SUS não é possível, podemos até atender desde que haja vaga. Primeiro tentamos salvar as vidas e depois atender a escolha de paciente, como ocorreu recentemente", denunciou.